Acabo de me tornar bacharel. Afinal, quais são as opções que tenho?

Tempo de leitura: 3 minutos

O Direito realmente é uma área fascinante. Um Curso Jurídico que oferece um campo muito grande de atuação profissional e possibilita o alcance de salários satisfatórios para o profissional que corre atrás do seu sonho.

Sem dúvidas o curso jurídico é um dos que mais chama a atenção dos estudantes pelo fato de proporcionar um grande “leque” de áreas de atuação, contudo, os futuros operadores do direito devem ter em mente que sem horas e horas de estudo não alcançaram algo muito bom.

Da mesma forma, a realidade é que ano após ano muitos advogados são formados, aumentando ainda mais a forte concorrência já existente. O presente artigo não tem como propósito discutir a qualidade de ensino nas mais variadas Universidades/Faculdades que oferecem o curso no nosso país, tão somente ressaltar que a concorrência é grande e são atitudes tomadas após a formatura que irão definir o sucesso do profissional.

Nesse passo, você entra na Faculdade de Direito, caursa os cinco anos e talvez até consiga a tão sonhada Carteirinha da Ordem dos Advogados do Brasil, a cobiçada “vermelhinha”. Tudo certo até então. Mas e agora? O que fazer? Abrir um escritório logo de cara? Investir nos estudos para carreira pública? Trabalhar como empregado a fim de ter um retorno financeiro para pensar futuramente?

A verdade é que a situação financeira da sua família ou um acúmulo financeiro anteriormente planejado são fatores que podem definir o primeiro passo após a formação jurídica.

A dedicação para concursos públicos sem dúvida pode lhe render frutos de grande valia futuramente, haja vista os salários altos e a estabilidade financeira que podem ser alcançados. Porém, essa dedicação exige tempo e dinheiro.

Estima-se que um aluno focado nos estudos possa levar em torno de 2 (dois) anos para passar em um concurso. Essa, obviamente, é uma média geral, frente às peculiaridades de cada aluno. O certo é que para aquisição de livros e cursinhos será necessário uma quantia considerável de dinheiro, motivo pelo qual faça nascer à necessidade de trabalho em paralelo como empregado a fim de suportar os gastos referidos.

Nesse passo, abrir seu próprio escritório ou até mesmo em sociedade, gerará gastos ainda maiores com o aluguel, água, luz, transporte, despesas com materiais, entre outros. Além disso, o jovem advogado deve preparar-se para, também, em média 2 (dois) anos de rendimentos apertados ou escassos, frente ao tempo de trâmite processual e a pequena carteira de clientes.

A verdade é que, muito embora, o início possa ser financeiramente complicado, existem alternativas para suportar essas despesas iniciais. A correspondência jurídica permite você atuar na área, conseguir manter seu escritório e ainda tem um retorno financeiro muito bom. Alternativa de grande valia, principalmente para quem não tem uma poupança planejada ou uma família que possa ajudar o início de sua carreira.

Contudo, muitos recém-formados acabam optando, até pela falta de dinheiro, vender sua força de trabalho e trabalhar como empregado em escritórios de advocacia ou até mesmo em segmentos diferentes na finalidade de economizar dinheiro para seus sonhos futuros.

Portanto, o Curso de Direito lhe oferece inúmeras oportunidades e lugar para profissionais bons, dedicados e estudiosos, por mais que a concorrência seja enorme, sempre existirá. Para isso basta um estudo constante, buscar a cada dia mais o aperfeiçoamento, seja na área pública, seja na área privada, o bom profissional do Direito está sempre em busca da atualização e dedicando horas ao seu estudo, isso é que possibilita o sucesso na sua carreira. Saiba que o trajeto a ser percorrido é grande, talvez árduo, porém, com esforço e muita vontade, será recompensador.

1 comentário


  1. Entrei no serviço público em 1998, quando fui aprovado em concurso para o sistema socioeducativo, previsto na Constituição Federal como parte da engrenagem que efetiva a doutrina da proteção integral da criança e do adolescente. Em 2005 iniciei minha formação em Direito, concluída com ótimo CR em 2010, seguida da imediata aprovação no exame da Ordem.
    Passados cinco anos, ainda não consegui minha inscrição, pois a OAB considera meu cargo público incompatível com a advocacia, afirmando que permitiria a captação de clientela e restringiria a autonomia como Advogado, tudo absurdamente fundamentado no art. 28, V do EOAB.
    Absurdo, pois o “novo” texto constitucional objetivou conferir nova fisionomia ao atendimento aos adolescentes em conflito com a lei, direcionando o afastamento da atividade socioeducativa da atividade policial.
    A OAB, que deveria zelar pela Constituição, ainda fecha os olhos para os desrespeitos à Carta Magna 27 anos após sua promulgação, inevitavelmente acobertando as violações constitucionais por todo Brasil.
    Afinal, quantas vezes vimos a OAB se manifestar contra as violações à Constituição e ao ECA nas instituições socioeducativas?! Somente depois que viraram manchetes?! E não pensem que não há violações no sistema judiciário em matéria de socioeducação! Há várias, geralmente protegidas pela “celeridade” do nosso judiciário, que julga o recurso somente após o término da execução da medida juridicamente incabível. Cadê a OAB atuando na defesa da Doutrina da proteção integral da criança e do adolescente, expressa na Constituição Federal?
    A OAB ignora a Constituição e, com o questionável apoio da justiça federal, nos equipara a servidores de penitenciárias, em total desprezo à referida Doutrina. Mega absurdo! Compreensível que isso seja defendido por servidores reacionários e cidadãos desconhecedores das especificidades que envolvem o tema, mas inadmissível quando sustentado por instituições republicanas que deveriam exigir e impor o cumprimento dos mandamentos constitucionais.
    Se as normativas estivessem sendo cumpridas, talvez não estivéssemos discutindo redução da idade penal, pois o que vemos na prática é algo muito distante da teoria. Tão distante, que surpreende o silêncio da OAB. Silêncio aparentemente demagógico e hipócrita, eis que no auge da discussão da redução da idade penal exaltou a educação e o afastamento da mentalidade prisional.
    E quanto à captação de clientela, que sem sombra de dúvidas não me interessa, talvez ela tivesse um resultado positivo. Afinal, formada tipicamente por negros pobres, essa clientela comumente tem seus direitos violados, diferentemente dos assistidos por Advogados privados. E não me digam que essa diferença não existe, pois sei o que meus olhos já viram.
    Quando entrei na faculdade era um idealista e não pretendia advogar. Almejava determinado cargo público de fiscal da lei. Hoje, mais realista e menos idealista, tudo que quero é advogar e poder abandonar o serviço “público”. Exercer a atividade para a qual me qualifiquei e que me proporciona alguma satisfação.
    Mas como fazer isso? Pedindo exoneração do serviço público para iniciar do zero na advocacia, ignorando as contas a vencer? Ou buscando algum colega para assinar meus trabalhos? O correto é a OAB respeitar e defender a Constituição, já que eu não tenho interesse em desrespeitar a legislação, caso seja inscrito nos termos do art. 30, I do EOAB.
    E ainda que viesse a desrespeitar, que o rigor da lei fosse aplicado nos estritos limites do devido processo legal, sem afronta à presunção de inocência. O que não pode é continuar a aplicar interpretação analógica, extensiva e ampliativa em aplicação de lei que restringe o exercício de direito fundamental. O simples exercício do poder de polícia não se confunde com o exercício de atividade policial, pois do contrário haveria muito mais cargos públicos incompatíveis com o exercício da advocacia. Pelo menos foi assim que aprendi em Direito Constitucional. Pois é, argumentos não faltam, o que falta é seriedade e Justiça no debate.

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