Aviltamento da advocacia: como agir com clientes barganhadores?

Tempo de leitura: 4 minutos

O advogado sempre encontra pela frente uma situação difícil de ser conduzida. Por um lado, existe um cliente que precisa dos seus serviços para resolver pendências, na maior parte das vezes, de seriedade e comprometimento incomuns. Por outro lado, pode encontrar um cliente que sempre procura minimizar o problema para ter um custo menor e não precisar gastar tanto para cuidar do caso.

Discussão sobre os honorários advocatícios

Na hora de discutir os honorários com o cliente, quando se trata de um cliente do tipo barganhador, o advogado encontra uma pessoa que apenas reclama de sua condição financeira, que possui tantas e tantas obrigações e que vê-se às voltas com uma situação que exigiu a presença de um advogado e que isso vai atrapalhar toda sua vida financeira. Enfim, uma conversa que é preciso enfrentar com a mente fria e tranquila, evitando envolvimento pessoal.

Em boa parte dos casos, inclusive, os clientes barganhadores são exatamente aqueles que podem pagar, que possuem condições para isso, mas que evitam aplicar o dinheiro na solução dos problemas, considerando que o advogado mais precisa dele do que ele do advogado.

Como agir com esses clientes barganhadores?

Em situações como essa, o advogado não deve agir como se estivesse advogando em causa própria, defendendo seus interesses de sobrevivência, mas, sim, como o profissional que pode solucionar o problema do cliente dentro das condições estipuladas e cobrando pelos seus serviços de maneira digna e honesta.

Esta é exatamente a hora em que não pode aviltar a profissão, nem pode se deixar levar por um convencimento de uma situação, devido ao “discurso” do cliente que, em muitas vezes, está mesmo “forjando” uma história, sempre com o objetivo de conseguir a barganha e reduzir seus gastos.

Mostrar ao cliente as necessidades e os trâmites do processo, quando lhe é apresentado o problema a ser resolvido, é o caminho mais fácil para o advogado.

Deve-se lembrar ao cliente que, nos processos encaminhados à justiça, qualquer deslize do advogado pode prejudicar o resultado, o que demanda atenção e concentração redobrada e, mais do que isso, ressalte o conhecimento necessário para providenciar todos os detalhes dos procedimentos burocráticos exigidos pela legislação.

Se a tentativa de barganha continuar, a maneira mais simples e fácil é apresentar os valores mínimos apresentados na tabela de honorários da Ordem dos Advogados do Brasil, esclarecendo que se trata de um serviço especializado, que exige, além da responsabilidade, o compromisso e o conhecimento do advogado para alcançar o resultado esperado.

Não ao aviltamento!

Para o advogado que quer ver sua profissão respeitada não pode haver, desde o início, a pretensão de fechar um contrato simplesmente para ter o cliente, mas sim de saber que poderá conduzir o processo com o afinco e o empenho necessários para ter um bom resultado.

O que não deve ser feito por um advogado que busca credibilidade é submeter-se a preços e contratos abaixo de valores dignos, colocando-se sempre na condição de um profissional que tem o seu próprio valor e conceitos e que tem o necessário conhecimento de causa para apresentar valores condizentes com o trabalho que deve ser executado.

A advocacia é uma profissão que requer tempo e dedicação, que possui custos altos e que requer máxima atenção em todos os trâmites dos processos.

O advogado deve ter em mente que sua carreira poderá depender de tudo o que estiver fazendo no momento em que está fazendo e, por isso, todo trabalho deve ser executado da melhor maneira possível.

Finalmente, é preciso fazer o cliente entender que, como advogado, você está cobrando pelo seu conhecimento e pela sua experiência na solução dos problemas e que isso demandou tempo, estudos, dedicação e vontade de sua parte para chegar onde chegou. A aceitação de condições impostas por clientes barganhadores, no mínimo, irá fazer cair esse patamar e isso não é nada interessante para sua carreira. Deixar-se levar por essas situações só o levará ao aviltamento de sua própria profissão.

O que você pensa sobre o aviltamento da profissão? Já precisou lidar com algum cliente barganhador?

22 Comentários


  1. Concordo com todos os comentários, exceto com os deste site, que coloca texto padrão para justificar o que não tem justificativa. Colocar a tabela da OAB para acabar com as barganhas é fácil, só que o JC não quer fazer isto porque, deve achar que vai perder receita. Se o JC quiser se tornar o maior portal de correspondência do Brasil tem que ter transparência. Chega de vender a história de que você vai ter grandes demandas de diligências, mas na verdade não tem nenhuma, mas como você já pagou a mensalidade para o JC, eles não estão nem ai para você advogado.
    Abraços a todos os sofridos advogados. Não faço mais parte de nenhum site de correspondência.
    Chega de viver com raiva e angustiado.
    Sejam felizes com pouco, mas com dignidade.
    Jader

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  2. Também desistir da Advocacia…. principalmente por esse aviltamento… o cliente quer advogado a preço de banana…

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  3. Infelizmente, como já mencionado acima, somos constantemente desvalorizados por nossos próprios colegas de profissão com propostas indecentes para o exercício da advocacia. Precisamos nos unir para que isso acabe!

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    1. concordo …. isso é revoltante ….. como escrevi a pouco para um colega que solicitou um serviço de correspondente, motoboy cobra mais caro do que o valor oferecido ….. desanima … estudar tanto pra quê?? Se for assim, melhor ser motoboy.

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  4. Não desmerecendo os outros colegas, para mim o melhor comentário foi da Dra. Marcia Maria Pedro Rosa.
    A Dra. está plenamente certa.
    Parabéns

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  5. Boa tarde nobres colegas!

    Infelizmente o aviltamento está vindo de escritórios e dos próprios colegas quando da necessidade de contratar um profissional para representá-lo em comarcas distintas a sua. O que me faz crê que, enquanto a própria classe não se unir para coibir esse tipo de desrespeito, e os próprios colegas contratantes não respeitarem os colegas contratados como profissional, com certeza ratificaremos a afirmação por muito tempo: “Deixar-se levar por essas situações só o levará ao aviltamento de sua própria profissão”.

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  6. Boa tarde

    Quero parabenizar o Sr. Marco Antônio Alves pela brilhante explanação. Concordo INTEGRALMENTE com tudo que ele diz. Também não renovei meu contrato com o Jurídico, visto que saí extremamente insatisfeita com o modo como trabalham. O “profissional” que aceita as migalhas ofertadas pelos clientes, são os que são contratados, uma vez que a solicitação de serviço é disparada para inúmeros profissionais ao mesmo, tratando-se de um verdadeiro leilão. A verdade é essa.

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    1. Boa tarde, Dayse! Bom como o Marco, agradecemos seu comentário que ajuda para a discussão do assunto. Assim como esclarecemos a ele, ratificamos que nós, do Jurídico Correspondentes, somos incisivamente contra o aviltamento da advocacia. Fazemos constantes campanhas sobre, como é o caso deste artigo e das várias mensagens enviadas aos correspondentes e aos solicitantes durante o processo de contratação pelo nosso site. Apesar disso, não temos autoridade para estabelecer os preços dos honorários pagos pelos serviços solicitados, ficando a critério dos profissionais essa decisão. Enfim, continuaremos nossa campanha para que a advocacia tenha sempre o valor merecido da profissão. E, para isso, contamos, com colaborações como a dele e sua. Muito obrigado!

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  7. Realmente o aviltamento da profissão é algo que deve ser combatido. Parabéns ao JC pelo artigo.

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  8. Não discuto o valor dos honorários que cobro pelos serviços profissionais que eventualmente alguém me contrata para prestar. Quando muito, aceito discutir um possível parcelamento. Agindo desta forma, nunca tive problemas com clientes barganhadores. Quando estes insistem, simplesmente sugiro que procurarem outro profissional ou se estão em uma situação de penúria busquem ajuda na Defensoria Pública. Por outro lado, em algumas situações já advoguei para pessoas sabidamente carentes sem cobrar honorários.

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    1. Faço a mesma coisa. Não discuto meus honorários, quem quiser paga, quem não quiser procure outro profissional.

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  9. Muito bom o texto. Parabenizo e agradeço pela sua publicação!
    Enfrento esta situação, semanalmente, e este texto veio me alertar
    em que ponto posso melhorar para evitar as barganhas, que ocorrem
    sempre. Muito bom dia e sucesso a todos.

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  10. Artigo muito interessante e atual. Clientes barganhadores são tão perigosos à Advocacia quanto colegas que se prestam ao aviltamento dos honorários.

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  11. Prezados, boa noite. O texto é de uma sutileza ímpar, representando exatamente aquilo que o profissional do direito se depara no dia-a-dia desta nobre profissão.

    Mas como dizia o mais velho: faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. Talvez esta colocação aparentemente não tenha sentido, mas com certeza, os próximos comentários o farão.

    Quando me cadastrei neste serviço de correspondência, esperava exatamente que as demandas solicitadas seriam baseadas no não aviltamento dos honorários advocatícios.

    Ledo engano. A forma como o serviço é estruturado, beneficia apenas o que foi chamada de cliente barganhador, pois funciona como uma espécie de leilão às avessas, onde aquele que praticar o menor preço será o contratado.

    Infelizmente foi uma grande decepção, tanto é que, depois do término do contrato, não me dispus a renová-lo.

    Como sugestão, para que o texto do não aviltamento dos honorários advocatícios não soe como retórico,
    mister se faz a alteração de sua estrutura, evitando a solicitação de diligências por demanda, que beneficia apenas o solicitante (cliente barganhador), podendo assemelhar-se ao que ocorre com o concorrente mais próximo.

    Espero que tenha ajudado na busca da excelência do serviço.

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    1. Olá, Marco! Primeiramente agradecemos pelo comentário que, com certeza, agrega muito para a discussão do assunto. Nós, do Jurídico Correspondentes, somos incisivamente contra o aviltamento da advocacia. Fazemos constantes campanhas sobre, como é o caso deste artigo e das várias mensagens enviadas aos correspondentes e aos solicitantes durante o processo de contratação pelo nosso site. Apesar desse esforço, não temos autoridade para estabelecer os preços dos honorários pagos pelos serviços solicitados, ficando a critério dos profissionais essa decisão. De qualquer forma, continuaremos nossa campanha para que a advocacia tenha sempre o valor merecido da profissão. E, para isso, contamos, com colaborações como esta sua. Mais uma vez, obrigado!

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      1. “Apesar desse esforço, não temos autoridade para estabelecer os preços dos honorários pagos pelos serviços solicitados, ficando a critério dos profissionais essa decisão”. Como soa incoerente o discurso do Jurídico Correspondentes de se declarar “incisivamente contra o aviltamento da advocacia” e de fazer “constantes campanhas sobre” quando, na prática, permite que aconteça o tal “leilão às avessas” citados pelos colegas! Afirmo isso porque é na tabela do meu Estado que venho me baseando para responder às demandas que aparecem, e sucede que nunca recebo retorno, ou o que é pior, recebo resposta de cliente informando que agradece o contato mas que o valor informado estaria muito acima do preço de mercado. Ora, como assim acima do preço de mercado, se estou solicitando o valor da tabela??? Não posso extrair outra conclusão, senão a de que o aviltamento pretensamente combatido vem sendo praticado de forma escancarada e com apoio deste site. Se querem de fato combater esta prática, que determinem aos contratantes que o valor das diligências deve partir da observância à Tabela de Honorários da Ordem de cada Estado, não podendo ser negociado valor menor; adotem critérios de transparência, como, por exemplo, informar a nós usuários a cada demanda realizada o real valor do serviço contratado, vetando o que estiver em desconformidade com o minimamente exigido na Tabela de Honorários da OAB. Isso sim seria combater efetivamente o aviltamento, impedindo que valores ínfimos fossem negociados, garantindo a nossa dignidade profissional. O retorno do JC é certo, visto que pagamos mensalidade para ter acesso aos possíveis clientes, já o do usuário advogado fica seriamente prejudicado pelas razões elencadas. Gostaria de obter um retorno sobre meus questionamentos e afirmar, embora seja óbvio, o quanto estou profundamente insatisfeita com o serviço prestado pelo Jurídico Correspondente.

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    2. Concordo com seu comentário.
      Sou advogado em inicio de carreira e abri este ano meu escritório. Sempre coloco o valor do serviço tendo como base a tabela de honorários da OAB. Entretanto, nunca recebi uma resposta positiva. Conversei com alguns colegas que também são assinantes, indagando qual o valor que eles estavam cobrando. E, para minha surpresa, os valores correspondiam a metade ou menos dos valores da tabela da OAB.
      Lamentável.

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  12. Sim. Tive e tenho vários clientes barganhadores. isso simplesmente acabou com minha vida e minha profissão. Hoje sou um profissional frustrado, desmotivado, o que aliado ao descrédito da justiça, estou massacrado pelo demônio da depressão, à procura de outro meio de sustentar minha família. Vivo à base de remédios. Esses clientes me fizeram odiar a profissão pela qual sempre fui fissurado, apaixonado, e modestamente, conheço bem meu trabalho nesses 18 anos de experiência. Mas hoje, simplesmente tenho pavor ao entrar em meu escritório, ouvir o telefone tocar, saber que um cliente barganhador marcou um horário, a secretária informar que um deles esta na recepção, etc.
    E o que é pior. o Barganhador é o que mais cobra produtividade no trabalho, não compreende a morosidade da justiça e sempre acha que tem um jeitinho (quando não existe).

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    1. Dr. Gustavo! Concordo plenamente com o colega, mas não desanime e sim elimine esse tipo de cliente.

      Temos uma linda profissão e precisamos nos valorizar. Hoje não atendo ninguém sem que antes a consulta seja paga, assim, esses barganhadores entenderão com quem estão lidando, e mais, sequer marca ocupa sua agenda.

      Deus lhe abençoe e lhe dê forças para continuar nessa jornada.

      Abraços.

      Valéria.

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