Você sabia que a Recuperação Judicial pode ser uma boa estratégia ?

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Para pedir recuperação judicial é essencial que os administradores da empresa tenham especial atenção com os sinais apresentados pela movimentação financeira. O ideal é que a empresa procure recuperar-se antes do momento crítico, quando ainda é possível definir estratégias para sua recuperação.

A recuperação judicial é uma alternativa para qualquer complicação econômica e financeira mais séria, quando há dificuldade de produzir ou de pagar as dívidas, além de servir também para mudanças no regime tributário.

Para as empresas, um cenário de retração econômica imediatamente pode apresentar reflexos, com aumento nos insumos e matérias-primas e com a necessidade de demitir funcionários, reorganizando sua própria estrutura para sobreviver aos percalços.

A visão brasileira da recuperação judicial

Infelizmente, no Brasil existe o hábito de considerar que pedir recuperação judicial é um sinal da morte da empresa, como se os sócios se tornassem desprovidos de capacidade de continuar com suas atividades.

No entanto, se considerarmos o número de empresas que fecham as portas a cada ano, devemos levar em conta que pedir a recuperação é um caminho muito mais atrativo.

O preconceito com a recuperação judicial no Brasil é proveniente da falta de experiência econômica e da falta de conhecimento. Muitos grandes empresários pediram falência, pagaram suas dívidas e conseguiram se recuperar economicamente, conseguindo maior sucesso depois de uma experiência desse gênero.

A recuperação judicial é uma boa estratégia para reerguer a empresa?

A recuperação judicial apresenta-se como uma boa estratégia em momentos de dificuldades econômicas para a empresa, tendo como objetivo principal preservar a empresa como entidade geradora de empregos, que paga seus tributos e que detém um potencial para a produção e circulação de bens e serviços.

Devemos, portanto, analisar a recuperação judicial como a segunda chance para o empresário, permitindo abater suas dívidas, criar um plano de pagamento em prazo mais estendido e uma oportunidade para reorganizar a empresa.

A recuperação judicial não pode ser vista com o receio de o empresário ter sua imagem abalada diante de fornecedores e clientes, havendo a necessidade de ser solicitada quando se percebe que, em determinado tempo, não haverá mais condições de manter suas atividades.

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O que acontece na empresa antes de pedir a recuperação judicial?

Normalmente, antes de buscar a recuperação judicial como alternativa, o empresário busca outros meios, como amigos e família, buscando uma solução viável para se livrar dos compromissos maiores. No entanto, num cenário de economia restrita, essa busca não oferece muitos resultados.

Assim, o próximo passo para a empresa é buscar as instituições financeiras. Nesse caso, especificamente, os bancos procuram garantias em nome dos sócios, fazendo-os fiadores ou avalistas.

Essas garantias não podem ser desfeitas depois da aprovação de um pedido de recuperação judicial, obrigando os bens dados em garantia e prejudicando o patrimônio dos sócios.

Ao mesmo tempo, quando a empresa se encontra em situação de inadimplência, os trabalhadores são os primeiros beneficiados, podendo controlar a aprovação do pedido de recuperação judicial. A legislação dá prioridade aos salários, que devem ser pagos no menor tempo possível.

Temos ainda que pensar nos credores que não possuem garantia real, que, normalmente, são menos compreensivos com a discutida recuperação judicial. Trata-se de uma situação em que é bastante difícil discutir um deságio.

Portanto, os pontos que oferecem dificuldade para a aprovação de um plano de recuperação judicial baseiam-se nesses três fatores: as garantias pessoais dos sócios, os créditos trabalhistas e o deságio nas dívidas.

Visto sob esse ângulo, o melhor momento para pedir recuperação judicial é aquele em que os bens pessoais dos sócios ainda não estão envolvidos na discussão. Esse é um ponto crítico para a decisão, principalmente porque se pode discutir e negociar dívidas, reduzindo-as e permitindo a continuidade produtiva da empresa, garantindo ao menos o pagamento dos salários e impedindo que os trabalhadores paralisem suas atividades.

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